Quando poderemos viajar novamente?

Se fosse para responder essa pergunta racionalmente, a resposta seria fácil: quando derrotarmos essa doença, ou seja, quando houver uma vacina disponível.

Mas a questão é que é as pessoas não vivem apenas de forma racional. Somos seres humanos, com sentimentos, com vontades e desejos. E isso muda tudo para poder responder essa pergunta.

Em excelente texto publicado no mês passado no New York Times a jornalista Gina Kolata já antecipava como essa epidemia irá acabar: de forma médica ou de forma social. Infelizmente, se formos depender apenas dos desejos do mercado, ou de alguns influenciadores digitais que vivem de viagem, a hora de viajar está bem próxima de acontecer, ou até já chegou.

Mas o que temos de concreto que pode nos orientar sobre a possibilidade de pensarmos em viajar? Quando de fato isso vai acontecer. No texto de hoje vamos conversar sobre como o mercado do turismo se prepara para uma retomada e como os hotéis, companhias aéreas e pontos turísticos tem apresando como alternativa para enfrentar o “novo normal” que o futuro promete.

Antes de tudo, vale um esclarecimento. Nenhuma prevenção ou medida apresentada até agora para ser seguida pela população é 100% eficaz no combate ao novo coronavírus. Todas as medidas indicadas pelas autoridades de saúde, como o distanciamento social e o uso de máscaras. são tomadas no sentido de prevenção, como forma de evitar e reduzir o contágio. Essas medidas, preventivas, são sim eficazes, mas não infalíveis. Ou seja, sempre existirá a possibilidade de se contaminar, mesmo com essas ações de prevenção.

Dito isso, o que o mercado de turismo tem preparado como forma de incentivar o viajante a se sentir seguro ao ponto de decidir viajar novamente? E quando isso irá acontecer?

Cias. Aéreas

Em voos locais continuam partindo, não nos Estados Unidos e na Europa, mas até mesmo aqui no Brasil. E como as Cias. Aéreas estão atendendo os passageiros. Diversas medidas foram adotadas, algumas delas comum a todas as cias e outras mais particulares. Entre elas, a obrigatoriedade de uso de máscaras pelos passageiros e a diminuição da lotação das aeronaves, com o bloqueio de assentos, principalmente os assentos do meio, que ficarão livres, aumento a distância entre os passageiros.

Algumas empresas aéreas adotaram também a restrição de bagagens de mão, aquelas levadas dentro dos aviões, para que os passageiros não usem os compartimentos superiores de bagagem. Outras empresas restringiram a distribuição de refeições, com a simplificação do cardápio. A distribuição de travesseiros e cobertores aos passageiros também foram cortadas em algumas empresas, como a United Airlines.

Outra medida praticamente unânime é a utilização de um sistema de filtragem do ar da cabine, que diz ser mais eficiente do que aqueles utilizados nas Unidades de Terapia Intensiva dos hospitais. Chamados de filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air), eles removem 99,97% das partículas e prometem renovar todo o ar em circulação no avião a cada três minutos.

Turismo de Proximidade

Apesar de todas essas ações, recente pesquisa divulgada pela Panrotas em parceria com a TRVL LAB mostra que mais de 60% dos brasileiros estão com medo de viajar, e que irão preferir utilizar veículo próprio e escolher destinos de viagens mais próximos de suas residências.

Baseado nesse perfil de viagens próximas, tudo leva a crer que o turismo interno será o foco do turismo quando as pessoas decidirem que é hora de viajar. Os destinos europeus e os Estamos Unidos vão dar lugar ao Nordeste, ao Rio de Janeiro e à Serra Gaúcha. Segundo empresários de turismo, há inclusive boas opções para atender aos diversos perfis de turistas nesse mundo pós-pandemia, incluindo o turismo de luxo. Esse turismo de luxo tradicional, que existia no mundo pré-pandemia deve desaparecer e dar lugar ao “novo luxo”.

E esse “novo luxo” não precisa necessariamente significar gastar. O simples fato de procurar fazer o seu “novo normal” através de um turismo menos massificado, mais intimista e voltado ao bem estar e a segurança de quem viaja com você, já pode ser uma forma de conhecer um novo tipo de turismo, a partir da experiência que a pandemia nos trouxe.

Essa inclusive já é uma tendência que se verifica na Europa, que está no processo de reabertura para o turismo: as cidades não querem voltar a receber turistas em excesso depois da pandemia, como mostrou essa matéria na Folha de S. Paulo sobre Veneza.

Hotéis e Resorts

Já falamos sobre as Cias. Aéreas e o que o turista espera encontrar nesse novo normal. Mas e quanto às hospedagens? O que esperar dos hotéis no pós-pandemia?

Talvez, em todo o setor de turismo, esse seja o que apresenta uma tendência mais fácil de observar. E não porque podemos dizer que é seguro se hospedar em qualquer hotel do mundo. Os motivos são outros: por incrível que pareça, os hotéis já voltam aos poucos a serem ocupados. Já existe uma maior demanda em países com a disseminação da doença “mais controlada”, como na Suíça. E no Brasil também algumas cidades, ainda sem qualquer indicativo de controle da disseminação da doença, já estão abertas para o turismo, como a região da Serra Gaúcha e em especial a cidade de Gramado.

Os meios de hospedagem devem seguir os protocolos definidos pelo Ministério do Turismo. Entre essas medidas está o distanciamento social, uma maior frequência de higienização das áreas frequentadas pelos hóspedes, desinfecção dos quartos antes da entrada de novos hóspedes, maior distanciamentos nas áreas onde são servidas refeições, inclusive com estações de buffets fechadas e com funcionários para servir individualmente os hóspedes. Mas qual a garantia que o viajante tem de que esses protocolos realmente o protegem de ser contaminado?

Como mencionei no início deste texto, o fim da pandemia pode ser médico ou social. O que pode estar acontecendo agora, com pessoas indo às praias do Rio de Janeiro, formando filas nos Shoppings Centers de São Paulo ou de Santa Catarina, já se arriscando a ocupar quartos de hotéis e compartilhando voos até Foz do Iguaçu ou Gramado, é um sinal do fim social. “Uma irresponsabilidade”, dirão muitos. Pode ser o sinal de que as pessoas estão dispostas a enfrentar os riscos, cansadas de ficar em casa, de viver em confinamento, e aprenderam a conviver com a doença. E neste sentido, é melhor que existam protocolos e regras de como se comportar nestes locais, para ao menos evitar contaminações.

Por outro lado, enquanto redes de resorts anunciam a reabertura, como é o caso da rede Resorts Brasil, outras redes como Club Med e Beach Park ainda estão fechados. O Club Med, por exemplo, fechado desde o dia 22 de março de 2020, definiu os protocolos que irá adotar quando reabrir, para a segurança dos hóspedes. O Club Med em Trancoso, por exemplo, deve reabrir apenas em setembro de 2020, se houver condições para atender os hóspedes com segurança.

Carolyne Doyon, CEO do Club Med para a América do Norte e Caribe, acredita que as pessoas, quando voltarem viajar, irão procurar destinos que lhes sejam familiares e que tragam confiança. Neste sentido, para ela, o Club Med é um desses lugares: “À medida que nossos resorts reabrirem, manteremos a atmosfera do Club Med, parte integrante do nosso DNA, além de manter a segurança e a higiene como nossas principais prioridades.”.

No caso do Brasil, por exemplo, essas ações significam uma menor ocupação dos villages; transfers com capacidade reduzida; check-in e check-out facilitados, com ampliação de opções digitais, inclusive para pagamento; restaurantes com capacidade reduzida, com ampliação do horário de atendimento e áreas de jantar expandidas, com maior oferta de pratos montados e com preparação customizada.

Nas áreas de piscina e praia o Club Med aumentou o espaçamento de dois metros das cadeiras, com verificação do Ph da água da piscina e o fechamento das jacuzzis e saunas. Já nos eventos, uma marca do Club Med, a previsão é a de haver sessões de cinema e atividades ao ar livre, além de uma programação em eventos simultâneos, preferencialmente em áreas abertas, com objetivo de não acontecer aglomerações.

Pontos Turísticos

E nos pontos turísticos? O que esperar do novo normal? Se pensarmos em praias, a resposta parece ser mais fácil: um maior distanciamento entre as cadeiras e espreguiçadeiras. Mas e nos monumentos, parques e atrações? Se estas forem ao ar livre estudos até agora indicam que nos proteger será mais fácil e que as chances de contaminação ao ar livre são muito menores do que em ambientes fechados.

Mas e no caso dos parques? Os parques e resorts da Disney em Orlando e na Califórnia estão fechados deste março e devem reabrir agora em julho. A previsão é que Magic Kingdom Park e Disney’s Animal Kingdom Theme Park reabram em 11 de julho e EPCOT e Disney’s Hollywood Studios no dia 15 de julho. E o que vai mudar?

Para poder entrar em um parque da Disney você vai precisar agendar a visita, ou seja, não basta apenas ter um ingresso válido, será preciso agendar o dia em que deseja ir ao parque, para poder entrar. Esta é a forma que a Disney escolheu de controlar a lotação de seus parques e evitar aglomerações.

Outras medidas adotadas para se visitar um parque da Disney incluem: uso obrigatório de máscara para os visitantes acima de dois anos; checagem da temperatura na entrada dos parques, além do distanciamento social, através de marcações no piso, indicando a distância que deverá ser mantida entre os visitantes. Você pode acessar aqui informações mais detalhadas sobre o funcionamento da Disney.

Enquanto isso, no Brasil, o parque mais conhecido do público, o Beto Carreto World, já está funcionando. Verdade! Desde o dia 12 de junho o parque voltou a receber o público em geral, com algumas medidas para tentar garantir a segurança dos visitantes: a capacidade do parque foi reduzida pela metade, o uso de máscaras pelos visitantes é obrigatório, os brinquedos são higienizados a cada uso e os visitantes escolhem os brinquedos que querem visitar através de uma fila virtual, em um aplicativo para celular.

Assim como nos parques da Disney, os visitantes tem a temperatura verificada na entrada do parque e marcações indicam a distância mínima a ser seguida pelos visitantes nos pontos que possam gerar filas. Os shows e apresentações em ambientes fechados foram suspensos, mantendo em funcionamento apenas os que acontecem ao ar livre, também com redução da capacidade para 50%.

Nesse momento, ainda de crescimento dos casos de Covid-19 no Brasil, todas essas ações podem parecer que são uma forma de incentivo de turismo na hora errada. No entanto, se pensarmos como ações que serão adotadas em um futuro, para quanto estivemos em um estágio onde seja possível enxergar que as viagens a turismo não são uma irresponsabilidade, elas serão um diferencial para escolher com segurança onde queremos e poderemos passar alguns dias agradáveis, no “novo normal” que teremos pela frente.

E você, quando acha que será seguro voltar a viajar novamente? Conta pra gente nos comentários.

E enquanto esse dia não chega, fique em casa e aproveite para viajar e conhecer novos lugares sem precisar sair da cama, ou do sofá!

Como fazer isso? A gente conversa no próximo post. Até lá!

Ficha técnica do episódio:
Abertura: The Vendetta - Stefan Kartenberg 
http://dig.ccmixter.org/files/JeffSpeed68/58628
Encerramento: General01-Rock-Mast-30
Adobe® Audition® royalty-free audio.

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